Chasque pro velho caseiro – Coluna do Orci Machado

I - Tio Glênio, hoje, te escrevo ;

me bateu um desespero;

vendo apagar-se o braseiro

do teu galpão” flor de trevo”;

onde não há mais enlevo;

porque, depois que partiste;

o quadro que hoje se assiste

me deixa desacorçoado;

e  um galpão abandonado;

deixa um cantor muito  triste.      

 

 

 

II - Nem sei por que nos deixaste;

ninguém explicou pra gente;

sumiste tão de repente;

e o pealo faz que eu me aplaste.

Jogado assim, como um “traste,”

pra fora de uma carroça.

Ingrata, a sorte nossa!

Enquanto um canzil falquejo;

a vaca se vai pro brejo

e a porcada pra roça.

 

 

 

 

III - Está de lombo pisado,

O sebruno piqueteiro.

Pobre petiço aguateiro;

clinudo; encarrapichado.

No galpão, tudo atirado;

às traças, de ponta a ponta.

Tudo o que vejo é uma afronta;

da aurora ao pôr- do-sol;

pena me dá, teu paiol;

os ratos tomaram conta.

 

 

 

IV - No seguro, à noite, corro;

pra ver se encontro um cavalo;

tropeço e caio num valo;

numa ninhada de sorro.

Grito pedindo socorro;

que faz eco no arvoredo.

Descubro outro segredo;

não me ouve a guaipecada;

foi atrás de ti, a cuscada;

sobrou galpão pro pulguedo.

V - Nenhum relincho de ornero;

há um vazio nas invernadas!

Não escuto mais payadas,

no galpão, nem “guitarrero”.

Na horta, nenhum tempero;

pro carreteiro e o ensopado.

Me paro mui preocupado;

mirando pro teu piquete;

um cantor dito ginete;

por demais, é abichornado.

 

 

VI - Falar, eu já tinha ouvido;

na tal fazenda da viúva;

campo tapado de buva;

bichos que haviam sumido;

e nunca tinha assistido

essa situação fulana;

que se chegou mui temprana,

no teu galpão , de repente;

quem olha vê, certamente;

a fazenda de Mãe Joana

 

 

 

VII - Caiu a lã do rebanho.

Se chega ali, todo instante;

cada estranho visitante

e cantante mais estranho.

Rataiada sem tamanho;

que, roendo as cordas, se agita.

O bode virou cabrita;

sem loro, cai um estrivo

e, até há um cepo cativo;

pro pai da moça bonita.

 

 

VIII - Hoje, ali, acampa um pardal;

pardalzinho engravatado;

que , há tempo, anda  engaiolado;

se intitulando cardeal!

De um bando que, voando mal;

por escassez de tutano;

já amolava o CAETANO;

por inveja e por capricho;

e hoje  se espoja no lixo

do tal “nativismo urbano”.

São Luiz Gonzaga 03/02/2012

Orci dos Santos Machado

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